quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

São números, senhor, são números…

ranking coura

É um estudo. Mais um estudo, apenas. Um estudo daqueles que não se sabe muito bem para que serve. Supostamente este diz-nos qual o valor da “marca” dos 308 municípios portugueses, analisando as categorias de investimento, turismo e talento (?) e cruzando diversos dados estatísticos desde os números do desemprego, ao salário médio, passando pelo índice de criminalidade e pelo número de dormidas de turistas.

A isso soma ainda a comunicação online de cada município e a sua presença nas redes sociais. E, tudo somado, chega à brilhante conclusão que as maiores cidades do país ocupam os primeiros lugares da tabela classificativa, enquanto os municípios mais pequenos e do interior são relegados para posições mais baixas. Sem estudo, sem grandes contas, qualquer pessoa facilmente chegaria à mesma conclusão…

Vale o que vale, pois então. E, mais não seja, faz mossa no ego. No nosso, principalmente. Especialmente quando olhamos para o mapa e vemos que Paredes de Coura aparece na 243ª posição… em 308 possíveis. E mais ainda quando vemos que, no distrito de Viana do Castelo, estamos mesmo, mesmo no fim da tabela. São números…

segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Assumidamente

Hesitei muito antes de me decidir a escrever sobre o encerramento do Tribunal de Paredes de Coura. Haverá, certamente, quem melhor empunhe e bandeira da sua manutenção, mas nem sequer foi esse o motivo. Hesitei, e adiei, escrever sobre este assunto que dominou a realidade courense nas últimas duas semanas… porque estava à espera da reacção da Câmara.

Também eu li a notícia que na véspera do conselho de ministros dava como garantida a saída do tribunal courense da lista de tribunais a abater. Por isso, também eu ouvi com alguma estranheza o nome de Paredes de Coura na lista de concelhos que se viam privados da sua representação do poder judicial. Aguardava, por isso, a reacção dos responsáveis autárquicos, que num primeiro momento se limitaram a dizer que aguardavam a comunicação oficial da coisa. E depois… silêncio. Nada? Nada. A lembrar os velhos tempos de outras batalhas em que o poder central mandava fechar e o poder local… acatava, refugiando-se no valor do diálogo enquanto elemento negocial, com os resultados que se viram no passado.

Afinal a reacção tardou mas chegou. Assumida e a pedir que se assumisse quem tomou a decisão de mandar fechar um tribunal que o relatório técnico indicava para permanecer de portas abertas. Assuma-se que se tomou uma decisão política ignorando os pareceres técnicos. É isso que Vitor Paulo Pereira pede a Paula Teixeira da Cruz, a ministra da Justiça que já mandou dizer que o tribunal courense sempre foi para fechar. O que, no meu entender, ainda vem confirmar mais as acusações do presidente da autarquia courense.

O tribunal courense até pode fechar, realmente, contra todas as expectativas e à revelia de todos os pareceres técnicos. Uma coisa, contudo, já teve o mérito de conseguir. Que o poder autárquico local não ficasse parado a ver “o monstro” a avançar, sem nada fazer. Já no anterior executivo a Câmara, toda, se uniu em torno desta questão. Vitor Paulo Pereira, logo nos seus primeiros dias de autarca, tomou para si também esta luta e mostrou que não iria baixar os braços facilmente e, talvez por isso mesmo, há agora quem veja esta decisão do poder central como a sua primeira derrota. Que seja. Mas que não se iludam os que o fazem, porque também eles ficam a perder. Como ficaram noutras lutas de que o exemplo maior é o encerramento das urgências nocturnas. É que, se na altura a Câmara optou pela via do diálogo, com o resultado que se viu, também convém assinalar que a oposição não ficou melhor na fotografia. Diria até que ficou de fora da fotografia, pois se bem me lembro (e lembro) só o PCP se juntou à luta contra o encerramento do SAP nocturno. Os outros, os que agora criticam e questionam, regozijando-se em surdina, foram os mesmos que, também eles, não estiveram ao lado da população nessa altura.

No meio de tudo isto só um lamento. Que toda esta situação seja discutida por quem não conhece o país real. Foi assim com as urgências, com a reorganização administrativa, agora com o mapa judiciário. Traçado a regra e esquadro, num qualquer gabinete em Lisboa, onde a temperatura controlada do ar condicionado molda as ideias de quem, esquecendo-se do povo que os levou ao poder, exerce o seu poder sobre esse mesmo povo. Para quê? Para que no final se possam ler notícias como esta, que nos dão conta da “poupança” que representa este novo mapa judiciário, que “só” vai custar 23 milhões de euros.

Porque se calhar faz algum sentido...

"os moços"
por Rodrigo Moita de Deus, em 14.02.14


"Há uma linha comum nas palavras do comunicado do IDP, das entrevistas Capucho, das intervenções de Pacheco Pereira, Garcia Leandro, Ferreira Leite, Bagão Félix ou Mário Soares. Esta ideia de “jovens turcos”, “mocidade”. De que “eles” são muito novos. Não têm “experiência do Estado”. Que é preciso já ter feito um exame à próstata para governar seja o que for.

Há toda uma geração de “políticos” descontentes por verem o país governado por crianças que agem sem a sua autorização ou beneplácito. E o problema é que isto pega-se. Nestes anos quantos artigos e públicas denúncias por causa de nomeações sub30? O mesmo país que se lamuria por causa do desemprego entre os jovens é o primeiro a queixar-se da falta de experiência dos “miúdos”.

Eu vou a caminho dos quarenta anos. Ainda não fiz o exame à próstata. Mas nas finanças tratam-me como se eu fosse gente grande. Ainda o General Garcia Leandro não recebia reforma já eu pagava impostos. O único sítio onde tenho o privilégio de ser chamado de moço é mesmo nestas coisas.

Há toda uma geração de políticos cuja grande visão estratégica para o país foi pedir dinheiro emprestado aos alemães argumentando que, afinal, eramos europeus. E acreditam mesmo que isso foi um grande feito.

Mas numa coisa têm razão. O 25 de abril foi há quarenta anos. Quando os “velhos” de hoje tomaram conta do país tinham quase todos menos de 40. Eram uns miúdos sem experiência de Estado. E deu na m!”#!” que deu."



quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

O futuro do caminho e o caminho do futuro

Ao ler os dois últimos posts da Sandra Marise Barros, sobre o Caminho de Santiago, lembrei-me que esta questão, da divulgação do caminho e de Paredes de Coura por intermédio dele, foi um dos assuntos em destaque na campanha eleitoral das recentes eleições autárquicas. Todos os partidos que apresentaram o seu programa eleitoral falaram na dinamização do troço do caminho que atravessa o concelho e na promoção do Albergue de Peregrinos de S. Pedro de Rubiães.

Todos, sem excepção, do PS ao PSD, passando pela CDU, inclusivamente pela candidatura comunista à freguesia de Rubiães, lembraram-se do grande fluxo de turistas que anualmente percorre o Caminho de Santiago. O PSD, inclusivamente, propunha-se redescobrir o caminho alternativo que liga o Norte do concelho a S. Bento da Porta Aberta e transformar as antigas escolas primárias devolutas em mais pontos de apoio aos peregrinos. Se a redescoberta do “caminho alternativo” me parece descabida, porque começaria no meio do nada, já que me parece que não há nenhum outro Caminho de Santiago referenciado que passe pelo norte do concelho, a hipótese de se recuperarem as antigas escolas primárias para apoio a eventuais peregrinos afigura-se ainda menos viável, pois grande parte dos edifícios já está ocupado (ou transformado), por outras entidades. O próprio Albergue de Peregrinos de S. Pedro de Rubiães é um claro exemplo da transformação duma antiga escola primária devoluta (em ruínas no caso).

E por falar no dito albergue, convém referir que, apesar de todos os programas eleitorais se referirem a ele e ao seu potencial enquanto elemento divulgador, e dinamizador, do concelho, nenhum deles refere o óbvio: qual a sua taxa de ocupação. Sabe-se, porque são visíveis em alguns pontos do concelho, que são muitos, milhares, os peregrinos que por aqui passam, rumo a Santiago mas também no sentido inverso. Mas, pelo menos o cidadão comum, não sabe quantos pernoitam no albergue de Rubiães. Aqui ao lado, por exemplo, a Câmara de Ponte de Lima divulga informação actualizada (diária mesmo), sobre a ocupação do albergue daquela vila, mas da estrutura existente em território courense não conhecidos números de utilização. Deste modo, consigo saber que durante o ano passado, 6814 peregrinos pernoitaram no Albergue de Ponte de Lima, a que se somaram mais 1280 peregrinos que lá carimbaram a sua credencial.

E em Rubiães? Quantos por lá passaram? Quantos lá dormiram no ano passado? De que vale dizer que o albergue pode ser aproveitado  para divulgar o concelho se se desconhece o potencial dessa divulgação? Será que, com a entrada em funcionamento do Albergue de Ponte de Lima o número de peregrinos a pernoitar diminuiu? Uma coisa é certa, e óbvia, nunca o albergue courense poderá rivalizar com os seus dois vizinhos mais próximos (Ponte de Lima e Valença). É que, quem optar por ficar em Ponte de Lima e depois estender a sua jornada do dia seguinte até Valença, opção que a maioria dos peregrinos faz, tem ao seu dispor, no ponto de partida e no ponto de chegada, o conforto duma cama quente e o bulício e a atractividade duma zona urbana carregada de factores de interesse. Ao peregrino que pernoite em Rubiães resta-lhe a calma bucólica duma zona rural. Para muitos peregrinos é o ideal, mas para o turismo… será suficiente?