sexta-feira, 3 de março de 2017

AM: Oposição elogia ligação à A3

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Numa reunião onde se perdeu mais tempo a discutir pormenores do regimento do que a debater os problemas do concelho, os elogios da oposição à Câmara por causa da ligação à A3 acabaram por marcar pela diferença. Mesmo assim, com algumas reservas face a todas as promessas anteriores.

A ordem de trabalhos era curta e pouco susceptível de criar polémica. Mas a polémica surgiu ainda antes de se iniciarem os trabalhos propriamente ditos, na última sessão da Assembleia Municipal (AM) de Paredes de Coura. Tudo porque José Augusto Pacheco, presidente daquele órgão autárquico, trouxe à baila um pedido de esclarecimento de José Augusto Caldas, recebido dias antes da reunião… de Dezembro.

Em Dezembro, recorde-se, a oposição marcou pela quantidade de baixas, desde as duas vereadoras social-democratas, até alguns elementos da bancada do PSD, entre os quais o próprio José Augusto Caldas, líder do grupo municipal daquele partido que, após a reunião, criticou publicamente a convocatória da mesma para a data em questão. E que, soube-se agora, dias antes enviou ao presidente da mesa um conjunto de perguntas sobre os assuntos em discussão na reunião a que iria faltar. As respostas chegaram agora, na reunião de Fevereiro. Ou melhor, não chegaram as respostas, chegou o esclarecimento de José Augusto Pacheco que considera não lhe competir a ele responder às questões levantadas, mas sim ao presidente da Câmara. “Mesmo que [José Augusto Caldas] não pudesse estar presente, pedia a outro elemento da bancada para solicitar os esclarecimentos”, atirou ainda o presidente da AM.

Estava dado o mote para largos minutos de discussão entre José Augusto Pacheco e José Augusto Caldas, com o primeiro a dizer que o pedido do líder do grupo municipal do PSD não tem fundamentação, e este último a lamentar que o presidente da AM “tenha usado o tipo de argumentação que usou”. “Tenho pena que as reuniões da Assembleia Municipal não sejam difundidas no YouTube para a população ver o que aqui se passa”, criticou José Augusto Caldas.

Na resposta, o presidente da AM explicou a José Augusto Caldas que “não se trata de uma questão de pena, mas de domínio político”, ao que o líder do PSD retorquiu, explicando que ao contrário do que sugeria Pacheco, o “regimento diz que os membros da assembleia não podem dirigir questões ao presidente da Câmara, mas sim ao presidente da mesa e compete a este pedir à Câmara os esclarecimentos solicitados”.

Nova estrada: “é a terceira vez que prometem”

O anúncio da ligação à A3 acabaria por sobrepor-se a polémicas sobre o regimento, com José Augusto Caldas a congratular-se com a nova ligação. “Os courenses e os empresários merecem. Só peca por tardio”, referiu o líder do grupo municipal do PSD, explicando que se trata de uma vitória de Vítor Paulo Pereira (VPP), “mas é o culminar de pressões do PS, PSD, CDU e CDS, concelhias e distritais”. “Tivemos a solidariedade do distrito nesta justa reivindicação”, acrescentou o social-democrata.

Os agradecimentos de José Augusto Caldas estenderam-se ainda a Tiago Brandão Rodrigues, ministro da Educação. “Tem conseguido desbloquear um conjunto de obras para Paredes de Coura, obras que estiveram encalhadas em anteriores governos”, justificou, dando como exemplos, além da ligação entre Formariz e Sapardos, a abertura da Unidade de Cuidados Continuados e as obras de requalificação da Escola Básica e Secundária.

Apesar disso, o social-democrata não deixou de lembrar que “é a terceira vez em período eleitoral que governos PS anunciam a ligação à A3”. “Já estamos habituados a que venham membros do Governo anunciar”, acrescentou, fazendo votos de que a obra seja iniciada a breve prazo e de que a autarquia courense “estude formas de melhorar a ligação da vila ao nó da nova via para que mais courenses beneficiem da ligação”.

“Podem ter a certeza que Paredes de Coura vai ser dos primeiros a apresentar o projecto, com todos os pareceres”, garantiu, na resposta, o presidente do município, anunciando a participação da autarquia numa reunião em Lisboa, dentro de dias, como exemplo da “velocidade institucional” que tem caracterizado o trabalho da Câmara. “É a única forma de conseguir as coisas”, refere VPP.

Lembrando, uma vez mais, que o anúncio não é ainda a estrada, o autarca explicou que “é uma porta que se abriu, que é diferente das anteriores”, por se tratar de um programa nacional onde estão câmaras de vários partidos, como já tinha explicado na última edição do Notícias de Coura. “É diferente, estamos na “pole position””, acrescentou VPP, que agradeceu as palavras de congratulação de José Augusto Caldas, mas reforçou que “não me importa que não me atribuam mérito, importa é que as coisas aconteçam”. “As pessoas que trabalham não precisam de brilhar”, concluiu o autarca.

Iluminação pública mantém horário

Também a iluminação pública mereceu a atenção de José Augusto Caldas na última sessão da Assembleia Municipal. O líder do grupo do PSD questionou a autarquia sobre a introdução de “leds” na iluminação pública e trouxe à discussão um assunto que já por diversas vezes por ali passou: o regresso da luz pública durante toda a noite, em todo o concelho.

Na resposta, Vítor Paulo Pereira admitiu que voltar a acender a iluminação pública durante toda a noite “era muito bom em termos eleitorais”, avisando, contudo, que não governa o município a pensar nas eleições. “Prefiro ajudar quem mais precisa”, explicou, fazendo alusão à utilização do dinheiro que esta medida conseguiu poupar aos cofres do município. Apesar disso, adiantou que “quando houver condições”, o regresso da iluminação durante toda a noite poderá ser uma possibilidade. “Neste momento não o conseguimos fazer”, adiantou.

A Assembleia Municipal ficou também marcada pela intervenção do público, um momento raro nestas reuniões. José António Pedreira usou da palavra para agradecer e elogiar o trabalho dos bombeiros e do povo no combate aos incêndios do ano passado. Aproveitou ainda para recomendar à protecção civil municipal que “comece a trabalhar agora” na prevenção dos fogos florestais ao invés de “andar depois a distribuir água e leite aos bombeiros”.

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Vem a aí a tão prometida ligação à A3

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Muitos anos e promessas depois, parece que finalmente a ligação à A3 vai mesmo avançar. O projecto prevê a ligação entre o Nó de Sapardos e a Zona Industrial de Formariz, numa extensão de 6,5 quilómetros e representando um investimento de 5,4 milhões de euros. Uma vitória de Vítor Paulo Pereira que, com muita negociação e envolvendo as grandes empresas do concelho, conseguiu concretizar uma promessa com quase vinte anos.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Candidatura à UNESCO

Audrey Azoulay, ministra da Cultura Francesa anunciou a candidatura para a inclusão na lista de Património Cultural da UNESCO os “locais funerários e memoriais da I Guerra Mundial”.
O Cemitério de Richebourg aparece em 7º lugar assim como a Capela de Nossa Senhora de Fátima que se encontra mesmo em frente ao cemitério.
 Este cemitério fica no norte de França e é um cemitério militar exclusivamente português.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Vitor Paulo Pereira: “Até eu estou admirado com a quantidade de obras que fizemos!”

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Pensar fora do quadrado. Era este o mote da campanha de Vítor Paulo Pereira na corrida à presidência da Câmara de Paredes de Coura, em 2013. Agora, mais de três anos volvidos e com novas autárquicas no horizonte, o espírito continua o mesmo. Ainda sem a recandidatura oficialmente assumida, mas com projectos que vão muito para além deste mandato, o presidente do município courense esteve à conversa com o Notícias de Coura e fez um balanço da experiência política que abraçou em nome de Paredes de Coura.

Quando tomou posse como presidente da Câmara de Paredes de Coura, em 2013, trouxe com ele uma equipa renovada e muitas ideias, que prometiam um futuro melhor para o concelho. “Não faz sentido fazer promessas vagas, as pessoas estão cansadas de tanta promessa”, explica o autarca courense, que entende que “é melhor fazer um programa sensato em que se vai ter ideias gerais de desenvolvimento”. E no final, esclarece, o balanço é claramente positivo: “há muitas coisas que não prometemos e acabamos por fazer”.

Com efeito, obras não faltaram ao longo do mandato. O presidente do município não esconde o orgulho pelo trabalho feito, da Caixa de Brinquedos à central de camionagem, cuja recuperação tem já candidatura assinada. Mas com destaque para a requalificação da Escola Básica e Secundária. “Uma grande vitória, pois chegou a estar fora da lista de escolas a intervir”, realça Vítor Paulo Pereira (VPP).

Apesar disso, o autarca não ignora as críticas de que foi alvo no início de mandato, em que se dizia que só se faziam obras da vila e que nas freguesias não se fazia nada. “A dicotomia aldeia/vila não faz sentido e é injusta. A vila é de todos”, justifica VPP, explicando que “fizemos uma série de obras na vila porque tínhamos fundos comunitários para executar e seria insensato perder esse dinheiro”.

“Até eu estou admirado com a quantidade de obras que fizemos”, desaba o autarca, ciente de que isso é resultado de muita pressão política… mas não só. “É fazer projectos, é trabalhar. As pessoas não imaginam a quantidade de candidaturas que fizemos”, refere, explicando que quando se fala em pressão política “não é pressão política bacoca, é uma pressão de convencer quem decide, de forma racional e com argumentos válidos”.

Um trabalho que implica muitas viagens a Lisboa e ao Porto, aos centros decisores do poder central e que beneficia muito do espaço mediático que Paredes de Coura conquistou nos últimos três anos. “Há uma nova centralidade”, diz, referindo que Paredes de Coura ocupa um espaço mediático que depois faz com que as próprias instituições olhem para Paredes de Coura com outro olhar. “Já não são os coitadinhos que estão a reivindicar, são pessoas que têm um plano e que, com menos meios, conseguem um retorno que alguns mais fortes não conseguem”, acrescenta o autarca.

Coragem na política

Mas a gestão da autarquia passa também por correr riscos. “As pessoas têm pouca coragem na política. Têm de ter coragem, perder o equilíbrio e fazer aquilo que não costuma ser feito. As pessoas gostam disso, gostam do risco. E não há outra forma de ir mais além sem assumir esses riscos”, diz o presidente da Câmara, assumindo, contudo, que se trata de “um risco planeado” e que obriga a uma mudança de paradigma. “O mundo mudou tanto que até os presidentes de câmara mais conservadores percebem que têm de ser modernos”. Mas, alerta, “uma coisa é ser moderno porque acreditas que é uma forma de desenvolvimento alternativo, fazê-lo de forma genuína e consciente. Outra coisa é tentares ser moderno por estar na moda.”

E os resultados da postura de mudança estão à vista, com a exposição mediática do concelho e retorno no município e nos munícipes. “Se fazes o que não é costume ser feito e o fazes bem, acabas por ter retorno mediático e isso acaba por trazer à comunidade auto-estima e orgulho”, diz VPP que, contudo, destaca que isso não é suficiente, é preciso ter em conta as pessoas.

“Não há nenhum projecto de desenvolvimento em que as pessoas não estejam presentes. O projecto tem de ser comum e para isso é preciso ser contagiante, que as pessoas sintam que as coisas estão a mudar para melhor”, refere o autarca, explicando que, no caso de Paredes de Coura, “todo este envolvimento existe, mas não é um envolvimento mediático frágil, porque vem da mudança da realidade, tem sustentabilidade.”

Caminhos alternativos que, garante, “trazem uma nova forma de desenvolvimento e afirmação do território”. “Foi o que aconteceu em relação às exportações”, diz o presidente, explicando que “isso não se deve somente à Câmara, deve-se aos empresários, mas a Câmara trabalha muito para que os empresários só tenham de pensar no trabalho deles”.

E a nova afirmação do território ajudou também na reabertura do tribunal, esclarece VPP, não escondendo que o anúncio do encerramento foi um dos piores momentos desde que está na Câmara. “Foi injusto, foi uma machadada, um momento de tristeza”, admite, acrescentando que na altura não se colocou apenas a questão do tribunal. “Faziam bullying institucional connosco, com o tribunal, as finanças…”, queixa-se. Uma situação que se inverteu agora, com a reabertura daquele serviço, “o reverso da medalha”. “A única diferença de então para agora é que naquela altura era o tempo do “corta, corta” e hoje o nosso primeiro-ministro entende que as autarquias são parceiros de desenvolvimento”, comenta Vítor Paulo Pereira.

É difícil fazer oposição

Um trabalho para continuar? Numa altura em faltam nove meses para as próximas eleições, VPP não quer ainda admitir a recandidatura. “Não é nenhum tabu, só não é ainda o momento”, explica. Sem novidade, portanto, até porque o próprio Partido Socialista deu indicações, a nível nacional, para que os actuais autarcas sejam reconduzidos.

Ao longo da entrevista, o autarca courense foi dizendo, por diversas ocasiões, que quatro anos não são suficientes para muitos dos projectos. Para a requalificação da rede viária das freguesias, por exemplo. “Acudimos a muitas das situações dramáticas, mas em quatro anos não é possível fazer tudo. Ao fim de oito anos as pessoas já poderão ser mais exigentes”, adianta o edil, acrescentando que “muito do trabalho que estamos a fazer hoje só se vai ver no futuro”.

Já sobre a oposição a nível concelhio, VPP prefere não se alongar. Numa altura em que são públicas algumas polémicas ao nível do PSD courense, por exemplo, a postura do autarca courense passa por relativizar essas situações. “Estou convicto de que o PSD vai apresentar um bom candidato às próximas eleições, como tem feito até agora”, refere o autarca.

Apesar disso, sempre vai dizendo que estar na oposição é difícil. “É ainda mais difícil quando tens um executivo que trabalha muito e faz as coisas bem. Há alternativa a quem trabalha muito e a quem faz bem?”, questiona VPP. “Se trabalhas muito e fazes bem é mais difícil a oposição medrar”, acrescenta ainda o presidente da Câmara, explicando que “neste contexto é normal que surjam cisões dentro da oposição. Acontece no PSD de Paredes de Coura como noutros lados.”

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Amândio desfaz em Janeiro dúvidas criadas em Abril

decio matraquilhos

Em declarações no Facebook, replicadas pela Rádio Vale do Minho, Amândio Pinto, presidente da união de freguesias de Cossourado e Linhares diz que não será candidato a presidente da Câmara de Paredes de Coura pelo PSD e coloca, aparentemente, um ponto final nas especulações, garantindo que foi convidado para o lugar e que declinou tal oferta.

“Depois de Outubro ficarei apenas com responsabilidades na freguesia de Linhares”, acrescentou o autarca, dizendo, contudo, que não será candidato a nenhum dos cargos que vão a eleições em 2017. Ou seja, nem sequer candidato à união de freguesias voltará a ser. Confessando-se desiludido com a política, Amândio Pinto diz que reserva para si o direito de apoiar qualquer candidato que apareça. “Nunca me segui por cores ou radicalismos”, esclarece.

Resta saber o que mudou. O que mudou de Abril para cá. É que em Abril, em declarações ao Notícias de Coura, Amândio Pinto deixava em aberto seu futuro político. Que não passaria por Linhares, era certo, mas que poderia passar por outra freguesia ou mesmo pela própria Câmara de Paredes de Coura.

O final do ano, contudo, parece ter trazido outro discurso àquele que foi apontado como sendo o “delfim” de Décio Guerreiro no PSD. “Ser candidato politico é sempre sinal de reconhecimento e enaltece o ego. Ser a uma Câmara Municipal é marco na vida. Mas não sinto possuir a força necessária para enfrentar esta luta, não me sinto líder desta batalha”, explica Amândio Pinto, no Facebook.