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quarta-feira, 15 de março de 2017

EMENTAS VEGETARIANAS: Paredes de Coura à frente da nova Lei

veget

A Assembleia da República aprovou, há duas semanas, a introdução obrigatória de um prato vegetariano nas cantinas públicas. Em Paredes de Coura a notícia foi bem-recebida, até porque há muito que o município vinha a trabalhar este assunto junto da comunidade.

Na cantina da Escola Básica de Paredes de Coura já ninguém estranha quando o prato do dia é vegetariano. Há muito que a ementa contempla, de duas em duas semanas, pratos onde não consta qualquer produto de origem animal. Agora, com a aprovação na Assembleia da República da Lei que vai obrigar todas as cantinas públicas a incluir um prato vegetariano nas suas ementas, o que já era normal vai passar a ser mais habitual. Com a entrada em vigor da nova lei, proposta pelo PAN – Pessoas, Animais, Natureza, a escola vai passar a ter uma alternativa vegetariana diária, mediante inscrição prévia.

“A Lei é muito válida”, começa por referir Maria José Moreira, vereadora com o pelouro da Educação, a propósito desta nova obrigatoriedade, salientando o facto de Paredes de Coura estar na primeira linha dos municípios a este nível. É que, além do prato vegetariano na cantina da Escola Básica, também na Escola Básica e Secundária já tinha sido igualmente introduzido um dia em que os produtos de origem animal não entram na ementa. Além disso, mesmo nas instituições não públicas existiam já progressos a este nível. No OUSAM, por exemplo, há um prato vegetariano uma vez por semana e na EPRAMI, existe desde há alguns meses, diariamente, uma alternativa vegetariana.

“Os alunos devem habituar-se a esta diversidade”, explica Maria José Moreira, também ela vegetariana, acrescentando que “deverão ter a noção que o vegetarianismo é uma opção a considerar em termos de política ambiental, em termos de saúde e em termos de respeito por todas as formas de vida”. Mas a vereadora fala também numa “política do município de abertura a diferentes opções alimentares”.

Uma política que passa por proporcionar informação e reflexão sobre a importâncias das escolhas alimentares. Exemplo disso é o Congresso Internacional Vegetariano, que terá este ano a sua terceira edição e onde se debate a alimentação vegetariana, mas também o desenvolvimento sustentável. Ou ainda o “Green Weekend”, com workshops de cozinha vegetariana, bem como outros dedicados especificamente às crianças, realizados nas escolas, “para que a opção vegetariana seja respeitada pelos alunos e seja entendida como uma opção válida”, acrescenta Maria José Moreira.

“Há toda uma política do município que converge no sentido de promover a generosidade: com eles próprios, com o ambiente e com animais”, refere ainda a responsável pelo pelouro da Educação. O “Projecto Terra” é um dos exemplos desta política, dinamizando uma série de actividades que promovem a alimentação vegetariana, a agricultura biológica e a promoção dos produtos da terra. Os alunos têm uma horta biológica no Museu Regional de Paredes de Coura, bem como um jardim de ervas e flores comestíveis e um pomar com árvores e arbustos de frutos. Numa outra vertente desenvolvem também o projecto da bolota, em que, entre outras actividades, já produziram pão com farinha de bolota.

O trabalho do município não se cinge, contudo ao público em idade escolar, mas abrange toda a comunidade courense. E começa a dar frutos. Maria José Moreira fala, por exemplo, das alheiras vegetarianas que já são produzidas em Paredes de Coura, pelos Enchidos Agramonte, de Cossourado e requisitadas em vários pontos do país. Ou da Quinta das Águias, em Rubiães, considerada um santuário animal, onde estão a ser feitas experiências para comercializar um queijo sem proveniência animal. Também a autarquia courense dá o exemplo e, recorde-se, os últimos jantares de Natal do município incluíram uma alternativa vegetariana, o mesmo acontecendo em várias outras iniciativas promovidas pela Câmara de Paredes de Coura.

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Polémica linha de alta tensão também passa por Coura

alta tensão
A população de Monção está preocupada com a nova linha de alta tensão que irá ligar Vila do Conde à fronteira, com passagem para território espanhol naquele concelho ou em Melgaço. Questionam o traçado e as possíveis implicações , nomeadamente ao nível da saúde, que uma linha de energia de 400KV pode trazer ao passar em áreas habitadas. A situação, contudo, não é exclusiva de Monção. Ao longo de todo o seu percurso a linha irá atravessar diversas povoações. O estudo de impacte ambiental, que está em consulta pública até ao próximo dia 13 de Fevereiro, prevê dois traçados alternativos e um deles afecta directamente Paredes de Coura, atravessando aglomerados habitacionais nas freguesias de Rubiães, Linhares e Cossourado.
O próprio estudo de impacte ambiental desaconselha a opção por este traçado, optando pelo alternativo, que passa a Este do concelho, já na área do município de Arcos de Valdevez, num corredor que praticamente não encontra zonas habitadas pelo caminho. Essa poderá ser também a posição da autarquia courense que quando recebeu o resumo não técnico da nova linha de alta tensão, de imediato criou um grupo de trabalho multidisciplinar para avaliar o impacto que o traçado daquela que é chamada “auto-estrada da energia” poderia ter no concelho. Tiago Cunha, vereador da Câmara de Paredes de Coura responsável por esta área, explicou que ainda não existe nenhuma posição formal da autarquia e que esta será baseada nas conclusões a que chegar o referido grupo de trabalho. Contudo, foi adiantando que “as pessoas estão em primeiro lugar, pelo que, existindo uma situação que represente perigo para a saúde pública, ainda que não esteja provada uma relação causa-efeito, não quereremos nunca correr esse risco”. “Se for possível uma alternativa longe das pessoas, então essa alternativa será prioritária”, acrescentou o vereador courense, explicando que o grupo de trabalho tem em mente as eventuais questões de saúde, mas também as implicações ao nível do ambiente e das estruturas existentes.
Estes aspectos são igualmente referidos no estudo de impacte ambiental da nova linha, que realça a proximidade da zona de protecção alargada de Grichões, a afectação de solos de melhores características para a a agricultura e a inclusão, no corredor do traçado, de diversos elementos classificados a nível arquitectónico e arqueológico. Passando ao lado da Cividade de Cossourado, que aguarda ainda classificação pela Direcção Geral do Património Cultural, e da Igreja Românica de Rubiães, classificada como monumento nacional, o traçado poderá, contudo, sobrevoar diversos imóveis de interesse público nesta última freguesia.
A principal preocupação, no entanto, passa pelo atravessamento de espaços urbanos que, caso a opção incida no traçado que atravessa o nosso concelho, irá afectar, sobretudo, as freguesias de Rubiães, Linhares e Cossourado. O traçado, nesta zona apresenta duas versões (clicar no mapa para ampliar). Uma delas afecta os lugares de Ageito e Chão, em Rubiães, e depois grande dos aglomerados habitacionais de Linhares. A outra versão segue mais a Oeste e abrange, sobretudo, Pecene e S. Bento da Porta Aberta, em Cossourado. As duas, no entanto, entroncam num troço comum que sobrevoa Casco, em Rubiães, a escassos metros dum estabelecimento de ensino.
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